28 de junho de 2019

Quem vai intermediar o dinheiro daqui em diante?

Por Yan Tironi – CEO do BBNK

Há muito tempo, o sistema de intermediação de dinheiro funciona mais ou menos da mesma forma no mundo inteiro, baseado nos serviços e produtos dos bancos. Quem poupa, quem precisa de empréstimo e quem quer pagar uma dívida se relaciona diretamente com um banco tradicional. Esse modelo ainda existe, mas a tendência é de que ele perca importância progressivamente e, eventualmente, se torne inusual. Diante das inovações tecnológicas, o cenário descrito acima já se mostra ultrapassado.

Esse modelo é obsoleto porque hoje temos dispositivos móveis conectados à internet o tempo todo e aplicativos (até de bancos convencionais) que facilitam nossa relação com o dinheiro, além do futuro indicar a proliferação de empresas dos mais diferentes setores fazendo as vezes dos bancos e das bandeiras de pagamento. As big tech começaram a fazer isso, como o WhatsApp, a Apple e a chinesa WeChat (abordei esse tema no artigo Sua empresa pode até não ser fin ou tech, mas a concorrência será).

Nesse mesmo mercado, as fintechs também se movimentam a passos velozes e avançam. Como exemplo do interesse que elas despertam, os investimentos em fintechs no mundo mais que dobrou de 2017 (US$ 50,8 bilhões) para 2018 (US$ 111.8 bilhões). A informação consta no relatório The Pulse of Fintech 2018: Biannual Global Analysis Investment in Fintech, da KPMG. Esse expressivo aumento de investimentos tem fácil explicação: o futuro das relações financeiras e bancárias passará necessariamente pela tecnologia e as fintechs são fundamentais nesse novo momento.

Ainda em relação às fintechs, especificamente sobre o Brasil, o relatório Fintech: América Latina 2018: Crescimento e Consolidação, realizado pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), aponta que somos o país da América Latina com o maior número de iniciativas do gênero (380). Já conforme o Innovate Finance 2018 Fintech VC Report, o Brasil está entre os dez países que mais receberam investimentos em fintechs.

Como se percebe com base nessas informações, atualmente no setor financeiro e bancário a evolução é constante e superlativa. Os bancos, os governos, os órgãos regulatórios e o mercado, no Brasil e no mundo, sabem disso. O período, então, é de adequação e evolução, de preferência na mesma proporção do desenvolvimento tecnológico e da expectativa dos consumidores.

O que ocorre é que não existe um modelo definitivo a ser seguido. A cada dia, surgem novas soluções tecnológicas voltadas ao setor. Além disso, há as características (econômicas, políticas, sociais e culturais) peculiares de cada país, que influem diretamente na forma de intermediação de dinheiro. Para ingressar ou para sobreviver nesse novo cenário, além obviamente de investimento, pesquisa e trabalho, será necessário ter uma característica fundamental nessa nossa época de constantes mudanças: iniciativa!

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